| (22/07/2010) SELIC: Copom decide subir a taxa de juros para 10,75% ao ano |
O Banco Central reduziu o ritmo do aperto na economia. No início da noite desta quarta-feira (21), a instituição anunciou o aumento do juro básico da economia, a Selic, em 0,50 ponto porcentual, para 10,75% ao ano. Nas duas decisões anteriores, as altas haviam sido de 0,75 ponto. Com o entendimento de que o cenário inflacionário evoluiu positivamente desde junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) viu espaço para diminuir a magnitude do aumento de juro. Nas últimas semanas, diversos indicadores de inflação e atividade econômica mostraram desaceleração.
Em comunicado divulgado após o encontro, os diretores do BC afirmam que a decisão levou em conta "o processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde a última reunião do Copom". Essa melhora, segundo o texto, "se deve à evolução recente de fatores domésticos e externos". "O Comitê entende que a decisão irá contribuir para intensificar esse processo (de redução de riscos)", completa o texto distribuído após a decisão tomada por unanimidade.
Os argumentos para a redução de ritmo no aperto monetário vieram à tona nas últimas semanas e especialmente no cenário doméstico. Indicadores como a inflação mais baixa que o esperado e a atividade econômica em desaceleração surpreenderam positivamente o mercado financeiro. Para analistas, o quadro diminui o risco de descontrole da inflação e abre espaço para um BC mais moderado.
O próprio presidente Henrique Meirelles deu sinais de que o ritmo dos juros poderia mudar. Normalmente avesso à imprensa, especialmente em dias que antecedem o Copom, ele falou dois dias seguidos com a imprensa na semana passada para reafirmar que as decisões são tomadas "levando em conta todos os dados existentes" até o dia da reunião.
A evolução positiva dos indicadores recentes gerou verdadeira reviravolta no mercado de juros futuros. Há duas semanas, os negócios mostravam que era praticamente zero a chance de alta da Selic menor que 0,75 ponto. Mas as apostas começaram a mudar ao longo da semana passada. Na última segunda-feira, foi o primeiro dia em que a maioria das operações passou a apontar para o aumento de 0,50 ponto. Um dia depois, as apostas se consolidaram com a deflação registrada no IPCA-15.
"O BC viu que o cenário mudou. A decisão foi coerente com a nova realidade da economia que se desenhou desde a última reunião. Manter o ritmo anterior de aumento seria fechar os olhos para essa novidade", diz o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto. Para ele, o texto divulgado abre espaço para "qualquer aumento de 0,50 ponto para baixo" no próximo encontro que acontece nos dias 31 de agosto e 1º de setembro. "É preciso esperar a ata na próxima semana, mas acredito que o aumento de setembro será o último do atual ciclo", completa.
A inflação foi o número que abriu os olhos dos analistas para a chance de uma alta menos intensa da Selic, mais especificamente o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que marcou inflação zero em junho, abaixo de todas as expectativas. Os preços seguiram no radar até horas antes da decisão, já que na quarta-feira o IPCA-15 de julho, uma prévia do índice até o meio do mês, apontou deflação de 0,09%, mais uma abaixo do previsto.
Essa percepção de desaceleração vai além dos preços. Na semana passada, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) registrou estabilidade entre abril e maio. Calculado pelo próprio BC, o número mostra que a economia parou de crescer no mês retrasado.
A lista de argumentos continua no emprego já que foram criados de 212,9 mil empregos formais em junho, abaixo do registrado em maio e do previsto pelos analistas. Além disso, a arrecadação de impostos também ficou aquém do esperado pelos economistas no mês passado. Juntos, os dois números reforçaram o entendimento de que a economia está em um ritmo mais fraco que o previsto inicialmente. |
Fonte: Agência Estado
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