Mensagem do Presidente

DISCURSO PROFERIDO PELO DIRETOR PRESIDENTE DA BGARJ JOSÉ DE SOUZA E SILVA, QUANDO DA TOMADA DE POSSE DA DIRETORIA PARA O BIÊNIO 2002/2004.

As nações unidas têm anunciado para a população dos quatro cantos do planeta, o aterrorizante relatório que antevê as nossas próximas desgraças com a explosão populacional e a

dramaticidade do quadro de pobreza, que resiste a todos os bem intencionados esforços dos samaritanos com Phd nas céleres universidades da banda civilizada.

Marcando data para o que já se sabia, a população mundial ultrapassou a marca de 6 bilhões de habitantes, dobrando desde 1960 e quadruplicando no século que terminou.A partir daí choraminga e abana, no morde-e-assopra da toada despistadora. Em meio a uma riqueza como nunca se viu, 1 bilhão de miseráveis amarga a fome e a miséria. Definir índices que indentifiquem a pobreza é insolúvel tema polêmico das eternas querelas acadêmicas. Driblando números traiçoeiros qual amante adúltera rica, a ONU alinha as óbvias condições água potável e assistência médica. Explodem os percentuais de crescimento das áreas pobres da Ásia e da África, estamos estacionamento na Europa e com índice mais baixo no continente americano.

Alçado a assunto da moda lá e cá, a pobreza abre espaço ao reconhecimento da sua dramática prioridade. E é ai que o Brasil curva o espinhaço na vergonha de suas pervesas contradições. “ Somos, simplesmente, os campeões mundiais incontestáveis em matéria de desigualdade social”. Ladeando o debate sem fim sobre os critérios que qualificam a pobreza e a indigência, no ultimo estágio da degradação humana, puxa a denuncia para a desigualdade social, mensurada pela distância de renda entre per compra, o Brasil não se posiciona entre os mais pobres. Pelo nível de renda per capita, calculado na relatividade do poder de compra, o Brasil não se posiciona entre os países mais pobres, com razoável distribuição de renda. Deveríamos abrigar menos de 10% de pobres, sem vez dos 30%, registrados em 2002, segundo padrão estatísticos internacional.

Mas, vá lá que são dados controversos. Não convém insistir. Enterra-se a discussão caminhando na trilha da desigualdade brutal. Nos 20 anos entre 1980 e 2000, apenas em 81 e 86 os 50% mais pobres embolsaram a fina fatia de renda com insignificante vantagem sobre os que engordaram a conta bancária da parcela 1% mais rica. Uma brisa que não refrescou a diferença constante da desigualdade : a renda média dos 20% mais ricos oscila entre 20 e 30 vezes mais do que a dos 20% mais pobres. Desigualdade cristalizada, estratificada, que passa sem se alterar pela ditadura ou a democracia, pela inflação ou a estabilidade, pelo intervencionismo estatal ou pelo liberalismo. Escorrega pelas críticas ao Fundo Monetário Internacional, ao neoliberalismo, ao ajuste fiscal, às privatizações e ao desemprego.

È traço cultural que mancha os devaneios ufanistas da cordialidade brasileira. Pelo visto, atravessará, intocada, os bisados mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso. Nos primeiros quatro anos não sobrou tempo para cuidar de outra coisa que não fosse a reeleição. Depois no segundo reinado, a distribuição de renda não logrou espaço na agenda do sociólogo. O tema está aí, bulindo como fruta madura ofertando-se para ser escolhida. Com apelo sedutor de ineditismo, não há memória de qualquer tentativa séria para melhorar a distribuição de renda. Não é fácil romper o muro da resistência dissimulada e mexer em privilégios. Todo mundo é a favor de distribuir a renda dos outros. Desde que não metem a mão em seu bolso.

Curiosamente, esquerda e direita se entendem, fingindo divergir, na montagem da frente da injustiça social. Nem o governo nem a oposição parece preocuparem-se com a denúncia estatística que, nas universidades públicas, o índice de vagas ocupadas pelos pobres é zero. Ou que cerca de R$ 200 bilhões que o orçamento direciona para a área social, mas de 90% não beneficiam os mais pobres. Nos braços da Redentora, no embolso de milagre, a equipe econômica entova o acalento de milagre, a equipe econômica entoava o acalento de que era preciso que o bolo crescesse para a distribuição das fatias. Para os pobres, até hoje, desde sempre, nunca sobrou uma migalha.

E se continuarmos passíveis e pagadores de impostos o que sobrará para os empresários, talvez seja apenas a fúria social.

JOSE DE SOUSA E SILVA
Diretor – Presidente - BGA

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