BGA - Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio de Janeiro

Mensagem do Presidente

O QUE PENSAM QUE SOMOS?

Editorial de 07.07.00

Ao caminhar e passar os dias, esse tempo e essa caminhada, jamais será recuperada por qualquer ser humano. Como diz o ditado, O tempo não nos perdoa.

Ao dizermos que a lentidão de determinados atos acaba com todas as esperanças de uma nação, é com certeza, uma verdade irrefutável.

O Brasil com a reeleição do atual presidente, quando todos esperavam que nos quatro anos de reeleição o povo teria um aprimoramento com relação ao primeiro mandato, o que acontece, infelizmente, o contrário com um péssimo governo, principalmente no que tange a área social.

Vejam o caso da cassação do Senador Luís Estevão, que foi arrastado pelos seus pares no Congresso o máximo de tempo possível. A Polícia Federal, com tantas coisas importantes a fazer, mandou agentes ao Congresso no dia da votação da cassação, para prender o senador cassado, simplesmente querendo aparecer. Onde está o Mandatário número um da Polícia Federal, que não coloca a sua casa em ordem? Vejam o que fala um dos senadores da república: "Todos têm problemas, se formos investigar cada senador, o Congresso fecha".

Vejam as últimas crises, que no fundo estão escondidas atrás da corrupção, dos desmandos, dos lobistas, das privatizações mal feitas, do descaso social e da fome de terra, de casa e de comida. Afinal de contas este país existe, cresce, gera originais, cria famílias, graças à seu povo que tem que ser respeitado, ouvido e protegido, pois não existe nação forte, não existe país, sem o amor do seu povo.

O caso MST, será que por trás desse movimento não existe algo mais grave? Será que é apenas Reforma Agrária? Ou o problema foi criado para desviar as atenções de assuntos mais graves?

A greve dos caminhoneiros, as informações desencontradas nas informações do próprio governo, aqueles que foram amigos do rei e os atuais, como no caso dos combustíveis, um dia o governo anuncia que o combustível vai subir 10% em virtude da defasagem cambial e do aumento do barril de petróleo, no outro dia a Petrobrás informa um lucro líquido histórico de 8 bilhões de reais. O ex. secretário Eduardo Jorge, diz que o ex. juiz Nicolau dos Santos, um dos maiores gaturanos deste país, indicava ao governo juizes classistas pelo que estamos sabendo, o homem era cama e mesa do Planalto. Agora vai uma pergunta - Será que o mesmo ainda está vivo?

Empresas públicas, como a Petrobrás, foram e são criadas não para darem lucros ou prejuízos, mas sim para regular e atender ao seu povo, pois determinadas atividades podem ser privadas mas a competência governamental neste caso, deve ter perfeita eficiência fiscalizadora.

O Brasil, volto a falar, está enfiado na pior crise de sua história, seu endividamento internacional subiu para 58% do seu PIB, tem uma das maiores taxas de juros mundiais, contra inflação projetada para 2000 em 6%, tem um dos maiores sucateamentos em termos salariais, tem uma falta de moradia calculada em 15 milhões de unidades, a informalidade na atividade econômica chega a 30 milhões de pessoas, contra 64 milhões de pessoas empregadas legalmente, tem uma das piores safras agrícolas para o tamanho de áreas agricultáveis.

A desordem campeia tanto no aspecto da segurança como na invasão de áreas pelos sem teto, que agora também invadem galpões, praças e viadutos e os favelizam, tudo isso com a complacência do poder público, que somente sabe criar taxas e impostos. São Insaciáveis.

O país tem 90 milhões de miseráveis que sobrevivem com uma renda de R$ 30 à R$120, em estado de quase completa inanição. Não tem política social, não tem política carcerária e os atuais mandatários brasileiros, raras exceções, não têm visão do mundo moderno pois ainda acham que estão governando índios e escravos. Mas volto a lembrá-los, paciência tem limite, nós temos um tempo de vida.

 

José de Sousa e Silva é advogado, economista e Diretor Presidente da BGARJ

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