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Mensagem do Presidente

CRESCIMENTO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO AGRÍCOLA

Editorial de 30/05/00

Apesar do Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário Ter recuado 0,84% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período de 1999, os agricultores brasileiros não terão motivos para queixas. Vão pôr no bolso mais reais que no ano passado por conta do ganho extra que terão por tonelada e saca.

Estima-se que a receita das exportações do setor agropecuário terá crescimento de 7% em relação ao ano anterior. Isso porque os preços devem subir 11%, mas em contrapartida o volume exportado tende a cair 4%. Essa queda na quantidade de produtos exportados será puxada pelo açúcar, que deve fechar o ano com redução de 30% na vendas externas.

A receita com exportação de açúcar vai encolher US$ 500 milhões, recuando de US$ 20 bilhões no ano passado para US$ 1,5 bilhão este ano, por causa da quebra de safra e também porque os usineiros prometem destinar parte maior da produção de cana para a fabricação de álcool.

Em termos de quantidade física, o desempenho das exportações será decepcionante, mas do ponto de vista de volume financeiro será bem melhor que no ano passado.

A expectativa da Tendências é que o PIB agropecuário fique em 0,20 % este ano. Já o Banco Espanhol Bilbao Viscaya (BBV) aposta num resultado melhor, de 1,1%.

Os especialistas trabalham com cenários de recuperação de preços para vários produtos importantes na pauta de exportação brasileira. É o caso do complexo soja (farelo, grãos e óleo), que desde o terceiro trimestre de 1999 vinha em trajetória suave de recuperação de preço, que se acentuou em fevereiro e março deste ano.

Os preços devem subir 15% em relação a 99, porém a produção de soja se manterá quase igual à do ano passado. Como a demanda do mercado externo cresceu, os estoques baixaram e os preços começaram a subir. Este ano, o complexo soja deve representar 8% da pauta total de exportações do país, com uma estimativa de US$ 55 bilhões. A soja e seus derivados devem proporcionar uma receita de US$ 4,2 bilhões, contra US$ 3,7 bilhões no ano passado.

As vendas externas de carne de frango e bovina devem Ter aumento expressivo, de 10%. O volume vendido tende a aumentar 15%, e os preços devem cair 5%. Ano passado, esses dois produtos responderam por US$ 1,350 bilhão das exportações. A expectativa é que essa cifra suba para US$ 1,530 bilhão este ano. Com os preços em recuperação, as exportações de café devem ter este ano receita de US$ 2,5 bilhões, 5% superior à de 1999, embora a tendência seja de estabilidade no volume exportado.

 

José de Sousa e Silva é advogado, economista e Diretor Presidente da BGARJ

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