BGA - Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio de Janeiro

Mensagem do Presidente

QUEDA DO COMÉRCIO

Editorial de 23/05/00

O comércio do Rio ainda está no vermelho. Mas o tom já não é tão sombrio quanto o do ano passado. As vendas caíram 9% em março, se comparadas com as do mesmo mês em 1999. E a razão principal foram os dias parados durante o carnaval. O resultado do trimestre registra queda de 2,3 %. Mas a pesquisa mostra recuperação do setor. O índice acumulado em 12 meses registra redução de 2,88%, contra 3,28% do ano anterior - As taxas negativas vêm caindo. Isso indica que o setor saiu do fundo do poço, em 1999, e caminha para a estabilização. O segmento de supermercados foi o que apresentou melhor desempenho. Em março cresceu 4,4% e em 12 meses, 6,5%. Já as lojas de departamento continuam com índices negativos que ainda assustam. O resultado mostrou as quedas de 51% em março; 33,6% no trimestre e de 32,3% em 12 meses. Já a pesquisa de emprego registra a taxa de 4,1% este ano e 3,4% em 12 meses.

Nota-se uma recuperação já que no ano passado, os índices de desemprego eram de 5%, em média. Os salários caíram 1,6%, mas neste ano estão com índice 1,7% maior. A melhoria só não foi maior devido à queda de 28% nas lojas de departamento.

O movimento do dia das mães comprova a tendência de recuperação no setor de comércio. Segundo o levantamento do Instituto Fecomércio (Ifec) as vendas no período foram melhores que as do que no ano passado, embora ainda abaixo das previsões dos lojistas. Dos 134 comerciantes, 41,64% disseram ter vendido mais este ano. Outros 40,13% registraram vendas inferiores às de 99 e 18,23% avaliaram que o movimento ficou no mesmo patamar. O setor com melhor desempenho foi o de telefones celulares.

Em São Paulo, as vendas do comércio para o dia das mães foram feitas com cheque pré-datado e o cartão de crédito parcelado em até sete vezes sem juros. Levantamento da Associação Comercial de São Paulo mostra que o número de consultas ao Tele-cheque cresceu 4,4% nas primeiras duas semanas de maio sobre o mesmo período do ano passado. Em contrapartida, as vendas a prazo, medidas pelas consultas do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), caíram 4,3% no período. Na média, o resultado foi igual.

O desempenho ficou abaixo da expectativa, que era de crescer entre 3% e 5%. Ainda assim, foi um bom resultado.

É necessário prosseguir na política de redução das taxas de juros, para que a recuperação se consolide e a meta de 4% seja atendida.

As grandes redes de varejo, contudo, comemoraram as vendas. Nas Lojas Cem, o faturamento na primeira quinzena do mês cresceu 48% sobre 1999. Nas Lojas Americanas, o movimento foi 18% maior, com destaque para as vendas em 3 vezes.

 

José de Sousa e Silva é advogado, economista e Diretor Presidente da BGARJ

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