BGA - Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio de Janeiro

Mensagem do Presidente

ACABOU A FESTA

02/05/00

É impossível não ficar aturdido com o número: o Banco Central gastou, no ano passado, R$ 29.979 bilhões para garantir no equilíbrio do sistema financeiro. Segundo o balanço oficial, as despesas com o Proer (Programa de estímulo à reestruturação do sistema financeiro) alcançaram R$ 15.698 bilhões e o BC provisionou R$ 9.74 bilhões como reserva por conta de empréstimos não pagos. O balanço negativo revela como é alto o custo para se preservar a saúde dos bancos. O que obriga o país a levar a sério a idéia de não mais sustentar instituições financeiras problemáticas. Esse é o caso do Banespa, cuja privatização tem enfrentado resistências descabidas. É tempo de derrubá-las.

O governo tem agido exatamente nesse sentido. Conseguiu cassar a liminar que paralisou a venda do Banespa desde 22 de fevereiro e anunciou o novo cronograma para o leilão de privatização. A venda está marcada para o dia 27 de junho na bolsa de Valores do Rio de Janeiro e o edital com o preço mínimo será publicado em 27 de maio. Consta também da programação a abertura do data room na Avenida Paulista, com ampla informação sobre a real situação financeira do Banespa. Sabe o BC que nada disso impedirá novas tentativas de obstruir o leilão na Justiça. Os opositores do leilão não vão baixar a guarda, mas os advogados do BC também estão preparados para contornar medidas de efeito suspensivo.

O mais incrível é que ainda existam correntes contrárias à privatização do Banespa.. Segundo levantamento do BC, os gastos da União com as dívidas do Banespa ficaram entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões, quase um terço do que se perdeu com o refinanciamento de dívidas de estados e municípios e operações de socorro a bancos estaduais. Recorrer à Justiça para impedir a venda do Banespa não é atitude racional. Não há como defender o indefensável. O Banespa quebrou por excesso de incompetência e empreguismo escancarado. Só começou a reduzir o quadro de pessoal depois que o rombo bilionário tornou-se público e notório. Confessadamente o banco foi utilizado para fins eleitoreiros por sucessivos governadores. Faz parte do folclore político uma frase de Orestes Quércia: "Quebrei o Banespa, mas elegi meu sucessor".

Nove bancos - quatro nacionais e cinco estrangeiros - se habilitaram no dia 8 de fevereiro ao leilão de privatização. A disputa será acirrada e o negócio certamente atingirá valores recordes, pois o Banespa, apesar de tudo, detém 8% do mercado bancário nacional (gigantismo não é sinônimo de eficiência). Aos que torcem para que o banco permaneça em mãos de nacionais, abriu-se há algumas semanas, por manifestação do presidente Fernando Henrique, a possibilidade de o BNDES financiar os lances de bancos brasileiros. O fato é que a data do leilão se aproxima e o país só tem a perder se a venda do Banespa for novamente adiada. É o que provam os números do BC.

 

José de Sousa e Silva é advogado, economista e Diretor Presidente da BGARJ

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