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Mensagem do Presidente

QUEM QUER FAZ

A oposição tem todo o direito de fazer críticas ao Ministro da Fazenda, Pedro Malan. Tem o direito também de desejar um salário mínimo superior a R$ 151. Mas perde tempo e credibilidade ao questionar a competência e a capacidade técnica do ministro. É senso comum no Brasil e no exterior que Pedro Malan imprimiu uma objetividade ao Ministério da Fazenda poucas vezes vista na história do país. Deu também estabilidade ao cargo, que ocupa há quase seis anos, depois de presidir o Banco Central de 1993 a 1995. A economista Maria Sílvia Bastos Marques, que preside a Companhia Siderúrgica Nacional, costuma dizer que Malan tem de saída um mérito: tirou a economia da manchete dos jornais e da boca do povo.

É verdade. Com formação universitária de primeiríssimo nível e vivência acadêmica que o aproximou da esquerda nos anos 70 (foi discípulo e amigo de Maria da Conceição Tavares), Pedro Malan tem o hábito de atacar as questões econômicas com a profundidade que elas exigem. Sempre foi avesso a opiniões apressadas e chega até a ficar impaciente com abordagens superficiais. Economia para Malan é ciência, e ponto. Com isso - e esse é o ataque feito por Maria Sílvia - passou o debate econômico à sua justa dimensão, sem ranços ideológicos e demagógicos. Ao tratar a economia com rigor técnico, Malan mostrou que juros, câmbio, preços, salários, emprego, dívida externa e crescimento, não são assuntos ligeiros e populares. Quando são administrados com frieza e no rumo certo, viram rotina e perdem espaço no noticiário dos jornais.

Na recente discussão sobre o valor do salário mínimo, o ministro da Fazenda mais uma vez trouxe a necessária racionalidade ao debate. Mais que isso: deu uma aula sobre os níveis históricos do mínimo. Jogou por terra inapelavelmente as afirmações de que o mínimo atual representa apenas 26% do que era pago em 1940. "Qualquer que seja o mecanismo da conversão do dólar de 1940 para dólares de 2000, seja o índice de preços ao consumidor americano, seja o preço ao produtor americano, seja o deflator implícito do PIB americano, jamais se chegaria a um valor de 500 dólares para o salário mínimo de 1940", explicou Malan, lembrando que o mínimo variava entre 4,5 e 12 dólares da época. Para confirmar a tradição, o ministro está certo. No Rio e em São Paulo no dia 1º de maio de 1940 era de 220 mil-réis, o equivalente a US$ 11,13 da época e a US$ 134,51 de hoje. Nada a ver, portanto, com os propalados US$ 500.

A oposição perdeu a discussão e só lhe resta tirar o chapéu para Pedro Malan. Por mais que o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, fique irritado, o Ministro da Fazenda tem toda a razão: economia não é tema para principiantes.

 

José de Sousa e Silva é advogado, economista e Diretor Presidente da BGARJ

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