Mensagem do Presidente
HUMANOS OU ANIMAIS A tragédia do Timor Leste está longe de terminar. Os 24 anos de ocupação por força da Indonésia se abateram como uma chaga sobre o país. Pouca coisa restou de pé. "Não ficou pedra sobre pedra. Poucos edifícios foram poupados. A central elétrica que garante a energia de Díli (a capital) só continua funcionando graças à presença das tropas brasileiras que ocuparam as instalação, impedindo sua destruição pelos indonésios". Se as perdas materiais impressionam, o drama humano foi de dimensões inacreditáveis e estarrecedoras. Calcula-se que 250 mil pessoas foram mortas - um em cada três timorenses. O que houve em Timor foi um três timorenses. O que houve em Timor foi um genocídio. A ONU só tem uma resposta a dar genocídio. A ONU só tem tem uma resposta a dar aos militares indonésios que participaram do extermínio do povo timorense: justiça e cadeia.
Existe, é fato, mobilização internacional para apoiar a reconstrução de Timor Leste. A ONU já prometeu liberar US$ 322 milhões, mas o faz aos poucos. A liberação dos recursos é prejudicada pela burocracia excessiva da entidade. Enquanto isso, a população vive toda a sorte de dificuldades. Não há prédios públicos e as crianças têm aulas sob a copa de árvores. O Brasil vem participando da ajuda aos timorenses, mas poderia fazer muito mais. Espera-se do Brasil uma ação à altura da posição que lhe cabe na comunidade de língua portuguesa. E foi exatamente em busca desse apoio que o líder Xanana Gusmão, presidente do CRNT, veio ao Brasil.
Portugal se saiu brilhantemente ao denunciar o genocídio e cobrar a intervenção da ONU em Timor Leste. Os portugueses foram às ruas pela sobrevivência do povo irmão e sensibilizaram a opinião pública mundial. Agora é a vez do Brasil, que tem uma missão urgente a cumprir. Segundo Xanana Gusmão, a solução mais fácil e cômoda para Timor seria adotar o dólar australiano como moeda e dobrar-se ao notório interesse da Austrália, que lidera a força de paz da ONU. Esta também seria a melhor saída para uma geração inteira de timorenses - nascida durante os anos de ocupação - que não fala em português.
Unir-se à Austrália, porém, não é o desejo dos homens que lutaram bravamente pela independência do Timor. Eles se orgulham de suas raízes portuguesas e não pretendem abrir mão de 470 anos de história. "Um campo crucial para nós é a formação de quadros, a educação", afirma Xanana Gusmão. é neste campo que se exige atuação mais firme do Brasil. A oportunidade que se apresenta é histórica. Cabe ao governo brasileiro tomar a frente da luta pela preservação da cultura portuguesa. Não há tempo a perder.
José de Sousa e Silva é advogado, economista e Diretor Presidente da BGARJ
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