Mensagem do Presidente
BOLSAS, AFINAL QUEM SE SALVARÁ? A BOVESPA acabou engolindo a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, como já era esperado.
O volume da BOVESPA despencou US$ 203 bilhões, em 1997 para US$ 85 bilhões no ano passado.
Queda ainda maior, proporcionalmente, ocorreu na Bolsa de Buenos Aires, de US$ 26 bilhões em 1997 para US$ 8 bilhões em 1999. Caiu para menos de um terço. Na Bolsa do México, no mesmo período, tombo de US$ 84 bilhões para US$ 38 bilhões. Na bolsa de Santiago, o mesmo fenômeno de US$ 12 bilhões para US$ 7 bilhões.
Afinal de contas, o que está acontecendo? Fuga de capitais externos a partir do crash em cascata na Ásia? Fuga de capitais, sim, mas de empresas e investidores nacionais. O Mercado Latino Americano desloca-se alegremente para a exuberante Wall Street.
Antes, pelo atalho das ADRS na Bolsa de Nova York, agora, também pela emissão de títulos na Bolsa Virtual Nasdaq.
A primeira com uma valorização média de 26% no ano passado e a segunda, pelas jovens estrelas da Internet, com a rentabilidade record de 84%.
O desmanche do mercado brasileiro de ações, tal qual ocorre no argentino ou chileno, está sendo precipitado pela privatização das grandes estatais, exceção da Petrobras, Vale do Rio Doce e rescaldos da Telebras, são títulos populares em Wall Street.
Há um número cada vez menor de empresas estatais e privadas negociando na BOVESPA. Ano passado, 36 empresas abandonaram a Bolsa paulista por onde transita 94% dos negócios.
A revista "American Economie" diz que nem todos os países precisam ter seu próprio mercado de ações, assim como nem todos os países têm suas próprias Cias. Aéreas.
As Bolsas então estão em extinção? Não, mas os maiores corretores, sim. O mercado digital da Internet é um processo de desintermediação em escala planetária, especialmente na corretagem de ações, seguros, viagens e imóveis.
Com isso a Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio de Janeiro, tende a jamais acabar, pois isto seria como abrirmos mão de saborear um bom damasco ou feijoada, trocado por uma pílula.
José de Sousa e Silva é advogado, economista e Diretor Presidente da BGARJ
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