BGA - Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio de Janeiro

Mensagem do Presidente

A AGRICULTURA PRECISA VOLTAR A SER PRIORIDADE NO BRASIL

A área agrícola brasileira está totalmente despreparada. Há vinte anos havia incentivos do Governo Federal e hoje, praticamente, está nas mãos dos particulares que investem em agricultura, tentando tornar o Brasil num país verdadeiramente agrícola. Ele sempre foi fadado a ser um país agrícola mas, infelizmente, foi abandonado e hoje o setor paga mais impostos do que as industrias automobilísticas ou eletro-mecânica.

Este ano, pela primeira vez em dez anos, teremos talvez a melhor safra de arroz deste país. Colheremos em torno de 6,5 milhões de toneladas que nos dará com certeza, o direito de não importar nada do produto este ano. Temos também preços que não tínhamos já há uns cinco anos. O mercado de arroz hoje está com um preço realmente muito acessível à população brasileira.

Teremos também a melhor safra de feijão com preços abaixo dos praticados nos últimos dez anos. No ano passado o feijão chegou a custar R$ 60,00 o fardo de 30 quilos. Este ano está sendo negociado entre R$ 20,00 e R$ 24,00. Como sempre acontece, é a agricultura que tem dado, principalmente após o plano Real, a estabilidade econômica do país. E aconteceu a partir do momento em que houve a desvalorização cambial, em que alguns que apostavam o contrário, de novo quebraram a cara. Exatamente porque subiram os preços, sem que sua mercadoria ou produto tivesse ligado ao dólar. E entre quinze e vinte dias depois, tiveram que retroagir os preços. Aconteceu isso com quase todos os produtos, principalmente na área alimentícia. O mercado Brasileiro estava realmente acostumado a jogar e, dessa vez, perdeu. Para se ter uma idéia, entre a desvalorização e o final do mês de janeiro passado, o mercado chegou a subir 40% e 50 % nos produtos como carne bovina, frango e produtos agrícolas em geral. No começo de fevereiro, os preços praticados no mercado voltaram ao patamar de janeiro, ou seja, antes da desvalorização cambial alguns preços retroagiram ainda mais do que os praticados no mês de janeiro. Foi o caso do arroz, do feijão e dos laticínios. Apenas o leite teve uma alta e permaneceu. O leite longa vida teve um retrocesso no preço muito pequeno.

A agricultura pode ser a única maneira de o país realmente resolver o problema do desemprego. Se o governo brasileiro incentivar e financiar a agricultura, como deve ser financiada, acabando com os impostos de uma maneira geral na produção agrícola, deixando o produtor agrícola produzir sem custos de impostos nenhum, reverteremos a situação de desemprego do país em prazo muito curto. Quer dizer, é impossível que alguém hoje queira colocar o seu pequeno capital de risco para que mais tarde perca tudo. Inclusive sua pequena fazenda para o Banco do Brasil, que muitas vezes fica penhorada para cobrir juros exorbitantes, que são dados através de órgãos financiadores e que não temos condições de superar.

Bem esquematizada e bem implantada, a agricultura brasileira pode gerar, em quatro cinco anos, uma safra de 150 milhões de toneladas de grãos. Assim, certamente, acabaremos com o desemprego neste país.

Também porque se cria a agroindústria com a agricultura. E, da mesma forma o desenvolvimento do comércio.

 

José de Sousa e Silva é advogado, economista e Diretor Presidente da BGARJ

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