Mensagem do Presidente
DISCURSO DO PRESIDENTE DA BGA
A globalização apesar de necessária e irreversível , tornou-se uma verdadeira guerra entre nações, e que deixará sérias seqüelas em diversos setores da economia.
O nosso setor, não fica fora disso, pois, tanto na área produtora como na supermercadista os problemas se agravam.
Com a desvalorização cambial a partir de janeiro deste ano, o Brasil passou a ser mais atrativo na área de investimentos internacionais.
No setor de supermercados os grupos estrangeiros como : CARREFOUR - francês; WAL MART - americano; SONAE e JERONIMO MARTINS - portugueses, estão comprando diversas empresas do nosso setor, pagando 1/3 a mais do seu valor de mercado. Empresas que tradicionalmente eram consideradas as maiores em seus Estados.
O CARREFOUR comprou em 1998, 50% do Grupo Eldorado e parte das Lojas Americanas, em 1999 a Rede Planaltão - líder da região centro-oeste com 16 lojas, a Ronquetti do Espírito Santo e a Mineirão de Minas Gerais com 33 lojas, - podendo este ano chegar a um faturamento de 10 bilhões de reais . Não parando por aí, o Carrefour continua procurando outras redes para incorporar em seu patrimônio, além da inauguração de três hipermercados próprios, sendo um na cidade de Nova Iguaçu - uma das mais populosas do nosso Estado.
Já o grupo nacional Pão de Açúcar, após sua restruturação comprou em 1998 a rede paulista Peralta e a Carioca Freeway - e, em 1999 as redes Paulistas; Millos e Barateiro, além da rede Paes Mendonça, que tinha no Rio de Janeiro seu grande número de lojas. Sendo o segundo em vendas no País, o Grupo Pão de Açúcar deverá atingir este ano a cifra de 7 bilhões de reais em renda.
Já o Grupo português SONAE, adquiriu ano passado a Companhia Real de Distribuição - 3ª do Rio Grande do Sul ; a paulista Cândia e a Mercadorama líder do mercado paranaense, e este ano comprou a Rede Nacional Gaúcha, a 1ª em vendas no R.Gde. do Sul a Extra Econômico - 5ª no Rio Gde. do Sul e o Coletão do Paraná. Além de estar tentando entrar mais forte na região sudeste, principalmente no Rio de Janeiro. Passando o grupo SONAE para o 4º lugar em vendas nacionais.
A Casas Sendas, adquiriu o grupo carioca Três Poderes, ficando hoje com 77 lojas, além de investimentos em grandes hipermercados como os de Petrópolis, Volta Redonda e Santa Cruz, além de grande atuação em lojas de materiais de construção, sendo ainda hoje o primeiro grupo carioca em faturamento e a quinta no ranking nacional.
Temos outros grupos importantes com o Bom Preço de Pernambuco, aliado ao grupo holandês Roylad Ahold, que comprou a rede baiana Petripreço e que hoje é considerada a 3ª rede em faturamento do País.
O Continente do Rio de Janeiro, que vem investindo fortemente em hipermercados, tem uma previsão de inaugurar em novembro, um gigantesco hipermercado no município de Belford Roxo junto a Rodovia Presidente Dutra.
Além dos grupos Dallas, Rainha, Guanabara , Zona Sul e o Mundial que vem investindo na modernização das suas lojas.
Já o Wall Mart - americano, no ano passado faturou 143 bilhões de dólares, empregando 1 milhão de pessoas em cinco países do mundo, e, vem entrando em nosso País devagar, estando com seis lojas e devendo inaugurar sua primeira loja no Rio de Janeiro, em Manilha até o final deste ano.
O setor de supermercados suplantou em faturamento a industria automobilística, faturando 47 bilhões de dólares e perdendo apenas para a área de alimentação que faturou 71 bilhões de dólares, foi o setor que mais gerou empregos no País, absorvendo todo o tipo de mão de obra.
As vendas dos supermercados brasileiros cresceram entre 1994 e 1998 26%, ou seja 5,20 % ao ano, contra, 3.20 dos americanos em 1998.
No processo de concentração, as relações entre comércio e fornecedores, estão sendo alteradas, para que os fornecedores não percam muito e não fiquem nas mãos dos grandes grupos. Para continuarem atendendo o ditos pequenos e médios comércio brasileiro, terão que se reestruturar ou estarão fadados a falir ou fecharem.
A exclusividade pode levar a perigos incontornáveis, como no caso da Mesbla, Sears e Mappin que além de quebrarem, levaram diversas empresas consigo.
Hoje os cinco maiores grupos brasileiros já abocanham 43,92% do faturamento nacional, o que futuramente poderá tornar-se perigoso para o consumidor.
Com isso, a criação de associações tornam-se até salutar e inteligente, para que criem força junto aos fornecedores para melhorarem as condições de negociações de prazos e preços.
Por tudo isso, hoje ao homenagear a REDE ECONOMIA DE SUPERMERCADOS representada na pessoa de seu gerente Geral Sr. João Luís Alevato, parabenizo-os pelo pioneirismo da criação dessa associação e por já completarem um ano de sucesso, incentivando a criação de outras como alternativa de sobrevivência neste mercado madastro, pois, as empresas que não procurarem melhorar ou permanecerem vagarosas, certamente serão engolidas pelos mais ágeis.
Mas, em alerta ao Governo Federal, para tudo temos o principio e um fim.
E o empresário brasileiro não está contra a globalização ou capitais estrangeiros, - mas as empresas nacionais precisam ser protegidas, precisamos urgente da reforma tributária, de uma legislação trabalhista condizente com a atualidade brasileira, bem como uma taxa de juros também condizente com o mercado mundial, e ainda, uma justiça que funcione acabando de uma vez com os embargos de gaveta.
Para finalizar, alerto ainda as autoridades brasileiras, que a concentração da área alimentícia nas mãos de grupos estrangeiros, poderá se tornar um grande perigo, inclusive social, até porque a área farmacêutica já é monopólio dos laboratórios estrangeiros. - E sabemos que esses grupos só querem e pensam em lucros, administrando o dinheiro de investidores e de poupadores estrangeiros até momento que começam a ter prejuízos, aí, largam tudo e vão embora, - como no caso do Carrefour no EUA e México e da Sears no Brasil.
Então o que fazer? O Radicalismo não resolve, - e a burrice nos enterra.
Muito obrigado a todos!
José de Sousa e Silva é advogado, economista e Diretor Presidente da BGARJ
NO EVENTO DA REDE ECONOMIA
REALIZADO NA BGA EM 30.07.99
Bolsa de Gêneros Alimentícios do Rio de Janeiro, Rua da Cevada, 93 - Mezanino - Penha
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