Quem
leu o livro “Os Miseráveis”, do escritor Francês
Victor Hugo, viu que a sociedade francesa, na Insurreição
Democrata, em 05 de julho de 1832,
estava dividida em três classes: a primeira era composta pela
igreja, a segunda pela nobreza e a terceira era constituída
pelo maior número de habitantes, pela burguesia e pelos
miseráveis. Naquela época, era muito difícil
alguém conseguir mudar a sua condição social,
principalmente os menos favorecidos.
O
atual modelo brasileiro também nos dividiu em classes. Temos a
classe dos funcionários públicos, do executivo,
legislativo, judiciário e autarquias, além da classe
dos que nada podem, a não ser obedecer, dos aposentados da
iniciativa privada, que são obrigados, depois de ajudarem no
crescimento de uma nação, a se tornarem miseráveis.
O
atual presidente, quando era sindicalista, usava a bandeira, que os
aposentados mereciam uma aposentadoria digna, e, agora, ele veta os
aumentos. A aposentadoria agrava a desigualdade no Brasil, pois quem
ganha até R$ 800 tem participação no rendimento
familiar de 15%, enquanto que, quem ganha acima de R$ 10.000, tem
participação de 5%. Já na aposentadoria do poder
público, a participação do rendimento familiar é
de 0,8%, e, acima de R$ 10.000, é de 8%. Vejam as distorções
entre o privado e o público - esses gastos públicos
beneficiam os mais ricos.
Como
diz o economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio
Vargas, “o Estado joga dinheiro pelo helicóptero. Mas,
na hora de abrir as portas para os pobres, joga moedas. Na hora de
abrir as portas para os ricos, joga notas de R$ 100.”
O
presidente assinou um reajuste de 7,7% para os aposentados. Em
compensação, o Senado aprova 25% de aumento de salário
para os seus funcionários. O judiciário todo ano tem
aumentos absurdos, além do executivo – para eles, não
falta dinheiro.
A
classe (Miseráveis) dos aposentados está, cada vez
mais, sendo largada e abandonada pela classe pública
brasileira, tornando-se, ainda mais, endividada e tendo que se
desfazer de patrimônios, que levaram a vida inteira para
construir. Comete-se um crime contra a classe que deveria ser
respeitada por tudo aquilo que fez por este país.
Vejo
que só tem um jeito: que se reúnam todos os aposentados
e pressionem essa classe política, que só olha para
dentro dos seus próprios bolsos.
JOSÉ
DE SOUSA
DIRETOR
PRESIDENTE DA BGA