Revista BGA




Mensagem do Presidente

COMMODITIES


Os preços dos alimentos estão explodindo no mundo inteiro, mas, segundo os analistas do setor, hoje existe perto de 1 bilhão de pessoas passando fome no planeta terra, e esse aumento reflete uma alta generalizada.

Existem até aqueles que dizem que se cada cidadão chinês comer um frango por dia vai faltar frango no mundo.

O Brasil vai ser, dentro de 10 anos, um dos maiores produtores de gêneros alimentícios. Atualmente, somos os maiores produtores de soja, café, suco de laranja, carne bovina, carne de frango, açúcar e álcool. Somos auto-suficientes em petróleo, minério de ferro, além dos subprodutos.

Os americanos, com a explosão do preço do barril de petróleo, tentaram, em parte, conseguiram criar uma crise ao fazerem etanol do milho.

Houve uma gritaria mundial e a saca de milho chegou a bater no nosso mercado interno perto de R$ 50,00.

Ora, o americano, que é um grande consumidor de frango, sabe muito bem que o milho é a base do sustento da criação de aves, suínos e bovinos, ficando claro que a crise foi implantada.

Já no caso do etanol da cana-de-açúcar, todos sabem que neste momento sobra açúcar no mercado mundial, e que este produto teve a menor alta com relação aos demais.

Sabemos também, que países com economias fechadas começaram a importar produtos alimentícios de outros países. Somente os chineses incluíram 300 milhões de pessoas como consumidores desses produtos. A China ainda é a maior produtora de grãos do mundo, seguida dos americanos, em terceiro os canadenses e em quarto os brasileiros. A nossa produção ainda é muito pequena em termos de área plantada. O nosso aproveitamento por hectare deixa ainda a desejar perante aos Estados Unidos, Canadá e China. Ainda somos dependentes de adubos importados, que praticamente triplicaram de preços.

Com relação aos aumentos do arroz, os mesmos ocorreram dentro daquilo que era esperado, pois o produto não sofria aumento desde 1994 - na época, um fardo do produto custava R$ 22 e hoje custa entre R$ 48/R$ 52. O feijão preto custava de R$ 25/R$ 30, e hoje custa R$88/R$98 . O feijão carioquinha custava R$ 20/R$ 22 e hoje custa entre R$ 105/R$ 110. A carne bovina - dianteiro custava R$ 2,80 e o traseiro R$ 3,50 . Hoje custa entre R$ 5 o dianteiro e R$ 6 o traseiro. Como vocês podem ver os preços dos alimentos atuais estão bem abaixo da inflação no período de 1994/2008, e, apesar da nossa população ser muito maior hoje, o consumo de alimentos per capita caiu no nosso país.

Outros fatores que contribuíram para a queda do consumo de alimentos foram: o aumento de crédito, facilidades na telefonia celular, o parcelamento em até 240 meses pela construção civil, além das facilidades atrativas como certas lojas de móveis e eletrodomésticos muito famosas por suas "grandes" promoções. A população deixou de comer para gastar com os itens acima.

O brasileiro pode ter certeza de uma coisa: arroz a R$ 1, feijão a R$ 1,50, carne bovina a R$ 3, frango a R$ 1, isto nunca mais acontecerá, não tem como.

No caso dos alimentos serem responsáveis pela alta da inflação, não passa de uma bela desculpa dos economistas e do número de índices inflacionários que o Brasil tem, pois hortifrutigranjeiros no mundo inteiro não fazem parte de índices inflacionários por serem produtos regionais como em nosso País.

Mas no meu modo de ver, o que realmente está levando o mundo à loucura em termos de preços, como o exemplo do barril de petróleo a U$ 140,00, o café, a soja, o milho, o açúcar e o boi, é a ganância financeira de 1% da população mundial através das Bolsas de Commodities, que estão colocando no mercado muito mais ofertas do que produz o mundo em mercadorias.

É claro que a qualquer momento, "alguém vai pagar o pato", e com certeza será a população mais carente.


Infelizmente, "quem viver verá"!


JOSÉ DE SOUSA

DIRETOR PRESIDENTE DA BGA

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